Quando escrevemos, se deixarmos a mente produzir conteúdo e lembranças da maneira mais livre possível, intuitiva, podemos desencadear um processo terapêutico. Um processo de cura. Para isso, temos que liberar por um tempo a psique das restrições que afligem nosso ego para acessar o conteúdo inconsciente, fonte dos desejos mais internos, muitas vezes esquecidos por baixo de camadas de repressões.

Por George Amaral – Psicanalista e escritor

Repressões que vêm da sociedade, da criação, da necessidade de cumprir as expectativas daqueles que amamos e com quem nos identificamos. Repressões que vêm dos papéis que temos que exercer no dia a dia e que enrijecem nosso Eu, afastando-nos daquilo que é nossa verdade interior. Repressões que vêm dos medos, dos aprendizados negativos que tivemos, das experiências que nos mostraram que certas ações levam a sofrimentos. Medos que continuamos sentindo, mesmo sem lembrar qual a sua origem.

Quando deixamos isso tudo de lado, mesmo que por um instante, quem nós somos de verdade pode aflorar. E, quando escrevemos, esse desabrochar fica registrado. Torna-se material de consulta para seu próprio autoconhecimento.

Como nos sonhos, o que surge na ponta da caneta pode ser um pensamento absurdo, que parece insignificante e sem relação direta com a vida prática. Pode também ser desagradável, como se dito por uma outra pessoa ou por uma parte obscura de nós que não queremos ver.

Aos poucos, tudo isso faz sentido. Ao longo do processo terapêutico pela escrita as peças se encaixam, como acontece na terapia tradicional. O interessante é que temos esses relatos registrados, para entender e comparar com o que ainda virá no futuro.

Durante o exercício da escrita terapêutica, o indivíduo é incentivado a deixar fluir os pensamentos, a não tentar esconder nada e a explorar livremente e completamente suas próprias emoções. O ato de escrever tem o potencial de prover benefícios físicos e mentais, com melhorias em longo prazo no humor, nos níveis de estresse e em sintomas depressivos (SMYTH; PENNEBAKER; ARIGO, 2012).

Objetivos da escrita terapêutica

A terapia pela escrita busca, assim, liberar a pessoa da vergonha e dos medos provenientes dos desejos recalcados pelo superego, a parte punitiva e repressora da nossa psique. Tal como acontece em uma sessão de análise, podemos despertar memórias que antes não tínhamos acesso, perceber pensamentos que explicam nosso comportamento, entender como vemos a nós mesmos e qual parte de nós escondemos à sombra de nossa própria visão. E tudo estará lá, colocado no papel, à espera de interpretação e reabsorção.

Quando as pessoas têm a oportunidade de escrever sobre os seus transtornos emocionais, vão menos a consultas médicas e podem apresentar alterações positivas no sistema imunológico (SPIEGEL, 1999). Em geral, essas pessoas melhoram a memória e o sono, promovendo a aceleração de cicatrizações, inclusive em casos de cirurgia. Pessoas que têm pelo menos sete horas de sono na maioria das noites têm uma cicatrização mais rápida do que aqueles que dormem por menos tempo (ANDERSON; MACCURDY, 2000). A privação do sono pode diminuir os níveis de hormônio do crescimento, que é importante para a reparação de lesões (KLEIN; BOALS, 2001; BURTON; KING, 2008).

Para realizar tudo isso, a terapia pela escrita intuitiva não se dá apenas pelo ato de escrever. Também faz parte a meditação, a reflexão, a observação de si, os momentos de pausa para sair do automatismo do dia a dia e olhar de verdade para dentro do Eu.

Trata-se, portanto, de um processo de autoconhecimento e cura a partir de um entendimento mais completo e profundo do Eu interior. Desvencilhando-nos das amarras que impedem o fluxo dos verdadeiros desejos, podemos despertar a cura das angústias e sofrimentos.

Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida.

Clarice Lispector

 

Pensando nisso, criamos um método unindo a meditação e a escrita terapêutica no qual convidamos nossos alunos a mergulhar através da descoberta do verdadeiro EU.

São 04 encontros, de 2 horas, no qual o aluno é convidado a navegar em sua própria história e ressignificar histórias que o prendem ao passado impactando na realização dos verdadeiros sonhos.

Conheça mais sobre o programa “Terapia pela escrita intuitiva e meditação: a descoberta do verdadeiro EU”.

George Amaral

George Amaral

Olá, eu sou George Amaral, psicanalista, escritor e editor do Memoralia Ateliê de Escrita. Colaboro na Onemind nos cursos de Cura pela Escrita Intuitiva.